quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
Jeremy Chardy
Jeremy Chardy foi a grande surpresa masculina deste Grand Slam da Ásia-Pacífico. Ocupando o lugar 36 do ranking ATP, foi o outsider deste torneio, tendo todos os olhos em cima dele ao derrotar um dos candidatos à vitória, o argentino Juan Martin del Potro. Dotado de uma direita potente e uma excelente movimentação no court, facilitada pela sua elevada estatura e peso equilibrado (fisicamente muito parecido com Federer).
Se é verdade que o ténis francês parece ter ressuscitado na Austrália, com 4 jogadores a atingir os oitavos-de-final, apenas Tsonga parece ter "estatura" para discutir a vitória com os top 3.
Com apenas 24 anos, será capaz Chardy de se afirmar a partir de agora? A verdade é que hoje, Andy Murray não precisou de se esforçar muito para o vencer em menos de 2 horas, por 6-4, 6-1 e 6-2.
115 Winners !
Uma das coisas que Jo-Wilfried Tsonga recordará para sempre, mesmo quando abandonar os courts, será a sua vitória sobre Roger Federer, em Wimbledon 2011, depois de estar a perder por 2 sets. Foi aliás a primeira vez que Federer foi derrotado num Grand Slam, depois de ter vencido os 2 primeiros sets. A partir daí, o suiço venceu os cinco encontros seguintes entre os dois.
O duelo dos quartos-de-final da sessão noturna do Australian Open não defraudou ninguém. Foi um jogo muito bem disputado entre dois jogadores que se respeitam muito e que correspondeu à melhor exibição de ambos. Tsonga levava a lição bem estudada, e sabia que só um jogo agressivo, apoiado no seu excelente serviço (na minha opinião, um dos melhores do circuito), lhe poderia dar o passaporte para a meia-final. Já Roger fez um jogo inteligente, dando o seu melhor nos momentos cruciais, em particular nos tie-breaks do primeiro e terceiro sets, que acabaria por vencer. Na partida final, Federer não perdoou e aproveitou os momentos de menor concentração do francês, para vencer por 6-3.
Dois jogadores ofensivos, que não perdem nenhuma oportunidade de subir à rede. Alguns erros não forçados, mas acima de tudo muitos pontos ganhantes. 75 pontos ganhos na rede, 115 winners e, no final, público satisfeito e dois amigos com o dever cumprido...
O duelo dos quartos-de-final da sessão noturna do Australian Open não defraudou ninguém. Foi um jogo muito bem disputado entre dois jogadores que se respeitam muito e que correspondeu à melhor exibição de ambos. Tsonga levava a lição bem estudada, e sabia que só um jogo agressivo, apoiado no seu excelente serviço (na minha opinião, um dos melhores do circuito), lhe poderia dar o passaporte para a meia-final. Já Roger fez um jogo inteligente, dando o seu melhor nos momentos cruciais, em particular nos tie-breaks do primeiro e terceiro sets, que acabaria por vencer. Na partida final, Federer não perdoou e aproveitou os momentos de menor concentração do francês, para vencer por 6-3.
Dois jogadores ofensivos, que não perdem nenhuma oportunidade de subir à rede. Alguns erros não forçados, mas acima de tudo muitos pontos ganhantes. 75 pontos ganhos na rede, 115 winners e, no final, público satisfeito e dois amigos com o dever cumprido...
sábado, 19 de janeiro de 2013
Simon v Monfils
Mais um encontro épico, desta vez entre dois jogadores franceses. 4 horas e 43 minutos de ténis francês ao mais alto nível. Equilíbrio entre dois estilos bem diferentes é a forma mais simples de resumir este encontro. Com o marcador igualado a 4 no segundo set, os compatriotas Gilles Simon e Gael Monfils partiram para o rally mais longo de que tenho memória, com 71 troca de bolas durante 2 minutos e 9 segundos.
Simon acabou por vencer por 6-4, 6-4, 4-6, 1-6 e 8-6 numa exibição que será lembrada pela garra e determinação.
A quinta partida, que durou 1 hora e 34 minutos, transformou este encontro em mais um momento épico de ténis, no qual ambos os tenistas atingiram os limites do fisicamente possível. Assistidos em cada troca de campo pelo massagista de serviço, Simon no braço e Monfils na perna, deram o melhor de si na última parte do encontro, pleno de emoção e equilíbrio.
Simon aparentava estar naquela fronteira em que fisicamente se está ali no court mas todos os gestos são mecânicos e não refletidos, deixando-se levar pelas decisões do seu compatriota, batendo muito bem a pancada de esquerda e aproveitando algumas direitas para tentar o seu jogo de rede. Monfils deixou de arriscar, mantendo a esquerda a bom nível mas falhando algumas pancadas de direita. Por isso, já os jogadores se arrastavam no court, quando ainda foi possível assistir a trocas de bola com 41 pancadas.
E já perto da 1 hora local, com as bancadas praticamente repletas de um público que reconhecia em cada jogada o esforço dos franceses, Simon concluiu o quinto set por 8-6. Não houve lugar a festejos efusivos, mas antes um forte abraço entre os dois compatriotas, bem cientes que tinham acabado de fazer história.
E qual o prémio para Gilles Simon? Um encontro de quartos-de-final com o vencedor do US Open e terceiro cabeça de série Andy Murray, na próxima segunda-feira.
quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
Kimiko Date-Krumm
A figura deste terceiro dia de Australian Open foi, sem dúvida, a japonesa de 42 anos Kimiko Date-Krumm. Kimiko fez hoje história ao ser já a jogadora mais velha a passar à terceira ronda de um GS.
Com os termómetros a marcar 39ºC em Melbourne, a veterana japonesa derrotou a ex número 11 do WTA Ranking, Shahar Peer. Na primeira ronda tinha já eliminado a russa Nadia Petrova, ex número 3 do ranking. Os fãs australianos (melhor dito, os seus pais) tinham já tido a oportunidade de ver a japonesa defrontar Steffi Graf, no longinquo ano de 1994, nas meias-finas deste torneio. 19 anos (a idade de muitas jogadoras) passaram e chega a ser contagiante a alegria e o entusiasmo com que Kimiko joga e fala da sua carreira.
A sua amiga Graf já a aconselhou a encostar a raquete, para constituir uma família, tal como ela. Mas Kimiko não lhe fez a vontade e, assim, conseguiu fazer história. O segredo? Alimentação oriental e muitos banhos gelados.
Aí está o Australian Open!
Terminaram as férias tenísticas e os melhores jogadores de ténis do Mundo já se encontram na Austrália. A 101º Edição do Australian Open teve início no dia 14 de janeiro, ainda em ritmo de passeio, e aí estará até 27 de janeiro.
O Australian Open é, juntamente com Roland Garros, o meu Grand Slam preferido. Incomparáveis, cada um com o seu estilo, mas dois eventos desportivos de sucesso reconhecido mundialmente.
Na verdade, e talvez para espanto de muitos, o Grand Slam da Ásia Pacífico, é hoje considerado o maior torneio de ténis do Mundo. Isto, desde a mudança para o piso sintético do espetacular Melbourne Park, em 1988. O Australian Open foi o primeiro Slam a ultrapassar a marca dos 500 mil espectadores (ano 2000) e dos 600 mil (2008), além de deter hoje o recorde de público para um único dia (80.649 no primeiro sábado de 2012). Este Grand Slam é igualmente o maior torneio do calendário em termos de prémios, atingindo 31,5 milhões de USD, muito favorecido pelo câmbio da moeda local, que hoje vale mais do que o dólar americano. Só para se ter uma ideia, o campeão masculino de singulares levará para casa qualquer coisa como 2,5 milhões de USD, outro recorde.
O Melbourne Park encontra-se no centro da cidade (a 5 minutos de tram e 10 minutos a pé), separado por pontes pedestres do Melbourne Cricket Ground no Yarra Park. Como se vê na fotografia, é um local magnífico para a prática do ténis, assim como de outras modalidades desportivas, tão populares neste país. Com capacidade para 15000 espetadores, a Rod Laver Arena foi o primeiro recinto de ténis a possuir uma cobertura retrátil, que se adapta bem ao clima de Melbourne, com temperaturas elevadíssimas ou chuva intensa. A Hisense Arena, inaugurada em 2000 e com capacidade para 10500 adeptos, também possui um teto retrátil.
Apesar da diferença horária, teremos oportunidade de ver no Eurosport nos próximos dias mais de 300 horas de ténis de qualidade e um grande espetáculo de cor, som e movimento que fazem deste torneio... o esplendor do ténis !
O Australian Open é, juntamente com Roland Garros, o meu Grand Slam preferido. Incomparáveis, cada um com o seu estilo, mas dois eventos desportivos de sucesso reconhecido mundialmente.
Na verdade, e talvez para espanto de muitos, o Grand Slam da Ásia Pacífico, é hoje considerado o maior torneio de ténis do Mundo. Isto, desde a mudança para o piso sintético do espetacular Melbourne Park, em 1988. O Australian Open foi o primeiro Slam a ultrapassar a marca dos 500 mil espectadores (ano 2000) e dos 600 mil (2008), além de deter hoje o recorde de público para um único dia (80.649 no primeiro sábado de 2012). Este Grand Slam é igualmente o maior torneio do calendário em termos de prémios, atingindo 31,5 milhões de USD, muito favorecido pelo câmbio da moeda local, que hoje vale mais do que o dólar americano. Só para se ter uma ideia, o campeão masculino de singulares levará para casa qualquer coisa como 2,5 milhões de USD, outro recorde.
O Melbourne Park encontra-se no centro da cidade (a 5 minutos de tram e 10 minutos a pé), separado por pontes pedestres do Melbourne Cricket Ground no Yarra Park. Como se vê na fotografia, é um local magnífico para a prática do ténis, assim como de outras modalidades desportivas, tão populares neste país. Com capacidade para 15000 espetadores, a Rod Laver Arena foi o primeiro recinto de ténis a possuir uma cobertura retrátil, que se adapta bem ao clima de Melbourne, com temperaturas elevadíssimas ou chuva intensa. A Hisense Arena, inaugurada em 2000 e com capacidade para 10500 adeptos, também possui um teto retrátil.
Apesar da diferença horária, teremos oportunidade de ver no Eurosport nos próximos dias mais de 300 horas de ténis de qualidade e um grande espetáculo de cor, som e movimento que fazem deste torneio... o esplendor do ténis !
domingo, 16 de dezembro de 2012
Milan Kundera
Milan Kundera nasceu a 1 de abril de 1929 em Brno, capital da Morávia, cidade no sul da República Checa, próxima da fronteira com a Eslováquia.
Kundera aprendeu a tocar piano com seu pai. Posteriormente, também estudou musicologia. Influências e referências musicológicas podem ser encontradas nas suas obras, a ponto de existirem por vezes notas em pauta durante o texto.
Kundera aprendeu a tocar piano com seu pai. Posteriormente, também estudou musicologia. Influências e referências musicológicas podem ser encontradas nas suas obras, a ponto de existirem por vezes notas em pauta durante o texto.
Em 1950, foi temporariamente forçado a interromper os seus estudos por razões políticas. Nesse ano, ele e outro escritor checo - Jan Trefulka - foram expulsos do Partido Comunista Checo por "actividades anti-partidárias". Seis anos mais tarde, Kundera foi readmitido no Partido Comunista. Em 1970, porém, foi novamente expulso. Kundera, assim como outros artistas checos como Václav Havel, envolveu-se na Primavera de Praga de 1968. O período de optimismo, como se sabe, foi destruído no agosto do mesmo ano pela invasão soviética com exército do Pacto de Varsóvia a Checoslováquia. Kundera e Havel tentaram acalmar a população e organizar um levante reformista frente ao totalitarismo comunista da União Soviética.
Milan Kundera vive em França desde 1975, sendo cidadão francês desde 1980. Seus romances geralmente tratam de escolhas e decepções. Em seus livros é recorrente a crítica ao regime comunista e à posterior ocupação russa de seu país, em 1968, quando foi exilado e teve sua obra proibida na então Checoslováquia.
Proposto várias vezes para Prémio Nobel da Literatura, Kundera recebeu, pelo conjunto da sua obra, o "Common Wealth Award" de Literatura (1981) e o "Prémio Jerusalém" (1985), entre outros.
Proposto várias vezes para Prémio Nobel da Literatura, Kundera recebeu, pelo conjunto da sua obra, o "Common Wealth Award" de Literatura (1981) e o "Prémio Jerusalém" (1985), entre outros.
A Insustentável Leveza do Ser é a sua obra principal, que ganhou em 1988 uma adaptação para o cinema, sob a direcção de Philip Kaufman e com Daniel Day-Lewis, Juliette Binoche e Lena Olin no elenco. Recebeu 2 indicações ao Oscar e reconhecimento mundial.
sábado, 15 de dezembro de 2012
domingo, 9 de dezembro de 2012
As pessoas de hoje em dia
Na passada quarta-feira, recebi esta imagem com o título "As pessoas de hoje em dia...".
A imagem, publicada na terça-feira na primeira página do New York Post, mostra um homem a tentar escapar do fosso do metro de Nova Iorque. De acordo com testemunhas que se encontravam no local no momento do acidente, havia outras pessoas na plataforma, mas a fotografia não inclui mais ninguém, além da vítima, Ki-Suck Han, de 58 anos, que caiu na linha de metro depois de ter sido empurrado.
"Depois de empurrão fatal no metro, a pergunta: Não havia heróis?", foi o título de um artigo no New York Times um dia depois do acidente. "A fotografia de um homem sozinho numa linha do metro numa das cidades mais populosas do mundo vem lembrar que, quando alguma coisa má acontece, quase sempre dependemos apenas de nós próprios", lamentou o jornalista de media daquele jornal, David Carr.
Esta fotografia de um homem encurralado na linha do metro momentos antes de morrer esmagado pelo comboio que avança na sua direcção está a motivar um intenso debate em Nova Iorque: por que é que num dos sistemas de transportes públicos mais frequentados do mundo, ninguém tentou ajudar o homem?
Nesse mesmo dia, à noite, quando assistia ao noticiário na televisão, soube da seguinte história associada à seguinte fotografia.
A imagem, publicada na terça-feira na primeira página do New York Post, mostra um homem a tentar escapar do fosso do metro de Nova Iorque. De acordo com testemunhas que se encontravam no local no momento do acidente, havia outras pessoas na plataforma, mas a fotografia não inclui mais ninguém, além da vítima, Ki-Suck Han, de 58 anos, que caiu na linha de metro depois de ter sido empurrado.
"Depois de empurrão fatal no metro, a pergunta: Não havia heróis?", foi o título de um artigo no New York Times um dia depois do acidente. "A fotografia de um homem sozinho numa linha do metro numa das cidades mais populosas do mundo vem lembrar que, quando alguma coisa má acontece, quase sempre dependemos apenas de nós próprios", lamentou o jornalista de media daquele jornal, David Carr.
Esta fotografia de um homem encurralado na linha do metro momentos antes de morrer esmagado pelo comboio que avança na sua direcção está a motivar um intenso debate em Nova Iorque: por que é que num dos sistemas de transportes públicos mais frequentados do mundo, ninguém tentou ajudar o homem?
Pode ter sido apenas uma coincidência, mas não será altura de começarmos a refletir que são estas as pessoas de hoje em dia, de um tempo em que já não há heróis...
domingo, 18 de novembro de 2012
100.ª Edição da Taça Davis
E porque a Taça Davis é um torneio de equipas, representantes de Nações, é muito mais do que ténis que ali se joga. Joga-se com duas raquetes e uma pequena bola amarela, é certo. Também há um árbitro principal (por acaso Carlos Ramos, nesta edição) e os juízes de linha (por acaso, um deles, o meu coach Filip). Mas, tirando isso, esqueça os Grand Slams, os Masters, o ATP, etc. Aqui tem-se uma equipa no banco, um massagista, um treinador. O público é ruidoso, apoia incondicionalmente a sua Nação, e não aplaude desportivamente as jogadas espetaculares da equipa adversária. Há buzinas e bandeiras. Há claques organizadas que tentam a todo o custo desconcentrar o adversário. E há uma Taça, conhecida como "Saladeira" devido ao seu descomunal tamanho. Tal, deve-se ao facto de ter gravado em placas o nome de cada um dos finalistas e vencedores de cada edição, o que implica ir adicionando de tempos a tempos níveis à base do troféu, que conta já com três "andares". Como tive o privilégio de estar a alguns centímetros do troféu que foi hoje entregue, posso assegurar-vos que impressiona pela sua dimensão.
E como a Taça Davis não é só ténis, não faz qualquer sentido estar aqui a detalhar aspetos técnicos dos cinco encontros disputados (4 singles e 1 pares). A Armada espanhola era composta por David Ferrer, Nicolas Almagro, Marc Lopez e Marcel Granollers. Do team checo, apenas dois jogadores atuaram, Tomas Berdych e Radek Stepanek. Ferrer venceu o primeiro encontro a Stepanek. Almagro vendeu cara a derrota contra o líder da equipa checa, Tomas Berdych. Ao final do primeiro dia, Espanha 1 - Républica Checa 1. No sábado apenas se disputou o encontro de pares, que opôs Granollers/Lopez, recém vencedores do Masters de Londres, a Berdych/Stepanek, com vitória dos checos. Espanha 1 - República Checa 2, no final do segundo dia. Domingo, 18 de novembro, era o dia de todas as decisões. David Ferrer aplicou-se contra um Berdych desgastado com as quase seis horas de encontros disputados nos dias anteriores e empatou a eliminatória (2-2), deixando a decisão nas mãos (ou nos braços e pernas) de Nicolas Almagro. O 11.º do ranking contra o veterano Radek Stepanek (37.º). Stepan jogou concentrado desde início, parecendo alhear-se das quase dezoito mil vozes que gritavam o seu nome. Concentrado, com uma tática bem definida e, notoriamente, a apostar na imaturidade do seu adversário. Apostado em ganhar os seus jogos de serviço, com subidas constantes à rede, que lhe iam dando pontos e irritando o espanhol. Bolas bem a meio do court, evitando a abertura de ângulos por parte de Almagro, e uma esquerda a duas mãos consistente, que lhe valeu vários pontos ganhantes. Ainda antes de perder os dois primeiros sets (6-4, 7-6) a Armada espanhola começava a dar sinais da falta de confiança em Nico, que conseguiu aproveitar uma quebra de rendimento do checo para vencer o terceiro set (3-6). Mas não era o dia de Almagro, inconstante, nervoso, desprovido de tática e desestabilizado com o nível do jogo de rede de Radek. O checo, puxado pelo seu público, começou a acreditar que daí a alguns minutos poderia fazer história para o ténis e para o seu país. Com uma atitude irrepreensível, deu tudo o que tinha, chegando a "voar" para volleys impossíveis e conquistando pontos decisivos. Almagro, pelo contrário, ainda continuava com aquela atitude de quem é superior no ranking, esquecendo-se que esta competição não representaria apenas mais um encontro de ténis na sua carreira e já nem Alex Corretja se esforçava por motivar o murciano. Stepanek acabaria por vencer, muito justamente, por 6-3 e foi consagrado, ali e naquele momento, herói nacional. Almagro já deve estar a sentir na pele o que representou aquela atuação, vista na TVE por milhões de seus campatriotas. Estes não lhe criticam ter um mau dia, que pode acontecer e no ténis é sinónimo de derrota. Mas uma derrota honrada, com atitude e garra, bem ao jeito de Ferrer. Isso, e a avaliar pelos comentários que já li na Marca e As, "nuestros hermanos" não lhe perdoarão tão cedo...
A equipa da República Checa fez duplamente história. Primeiro, porque venceu hoje a sua primeira Taça Davis, depois de em 1980, liderada por Ivan Lendl, a então Checoslováquia ter conquistado este troféu. Depois, ao torna-se a primeira nação a conquistar no mesmo ano os troféus do ténis por equipas em masculinos (Davis Cup), femininos (Fed Cup) e mistos (Hopman Cup).
Pessoalmente, foi com grande satisfação que vivi estes acontecimentos aqui, na República Checa. São acontecimentos marcantes para qualquer adepto de ténis, num ano marcante para este país. Ter estado a assistir na Arena de Praga à Final da Fed Cup 2012, ter estado a escassos centímetros desta Taça Davis e ter a oportunidade de ter o treinador pessoal como juiz de linha nesta Final são motivos de sobra para jamais esquecer esta 100.ª Edição da Taça Davis. Parabéns República Checa!
segunda-feira, 12 de novembro de 2012
Federer v Djokovic
Esta era a Final do ATP World Tour por quase todos desejada, entre o primeiro e o segundo jogador do ranking. E, na verdade, não desiludiu. Ou melhor, quase...
Federer entrou muito bem no encontro, quiça demasiado bem, pois logo ali deixou de ter acesso à rampa que o poderia catapultar para o mais alto voo desta noite. Ao invés, Novak entrou lento e no quarto jogo do encontro, quando já perdia por 3-0, foi visível na sua cara uns suores que não são normais. Reparei eu e reparou Boris Becker, o meu comentador preferido da Sky Sports, com um sentido de humor notável, que eu jamais imaginaria neste alemão. Já se falava na derrota por 0-6 no último encontro disputado pelos dois, em Cincinnati, quando Nole faz o 3-1. Foi o catalisador de que o sérvio necessitava para mais uma grande noite. Uma noite entre a Cigarra e a Formiga. Novak usou a sua tática de sempre, ou seja, proibido falhar. Voava para a bola, fazia a espargata e até, por duas vezes, se atirou para o chão em desespero. Numa delas abriu um golpe no braço direito que, aparentemente, lhe deu mais força mental (como se ele precisasse) para fechar a primeira partida por 6-7(5).
E o que dizer da Cigarra? Jogou bem, deu espetáculo aqui e ali, entre uma direita cruzada batida de costas, em rotação, para salvar um set-point na primeira partida, ou um volley amortie no quarto jogo do segundo set. E, claro, levou a Arena de Londres ao rubro, principalmente com a primeira jogada. Os adversários não têm que invejar toda a admiração e apoio que RF vai granjeando por onde vai passando, em qualquer parte do mundo. Ele personifica o ténis espetáculo de que nós, espetadores e admiradores desta modalidade, estamos à espera. Ele próprio oferece espetáculo aos seus adversários, dando-lhes motivação para o vencerem. Mas isso é tema para outro post.
Hoje, Federer esteve sólido de esquerda e sofrível com a sua direita. Sabemos todos que a pancada direita cruzada é a sua principal arma (por muitos considerada a melhor direita da história do ténis). Pois hoje não foi, e os erros não forçados de direita de Roger, acabaram por "oferecer" o segundo set a Nole (5-7).
Concluindo, Novak Djokovic é o melhor jogador a disputar os "big points" e confirmou hoje que é o melhor jogador do ano que agora finda. Roger Federer disse no final que "não podia jogar muito mais do que jogou hoje". Mas esse bocadinho que nós sabemos que ele seria capaz de dar, era suficiente para lhe dar a vitória no último torneio do ano.
Agora, boas férias tenísticas. Vemo-nos, em Janeiro, na Austrália!
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