quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Antítese de um(a) jogador(a) de ténis

Não queria nada que este fosse o meu primeiro post sobre ténis no Australian Open.

É certo que ainda estamos na primeira semana, de aquecimento (e que quente está com a temperatura hoje a atingir os 44ºC), e que ainda não houve duelos sequer interessantes. A temperatura é elevada, mas o ténis ainda muito morno...

Os pushers são uma espécie que existem no ténis. E pelo que vejo não estão em vias de extinção, muito longe disso. Em jogos no clube do bairro mas também no ténis profissional ao mais alto nível. E se no clube do bairro muitas vezes levam a melhor, no ténis profissional às vezes também acontece. 



Monica Niculesco é uma jogadora romena, número 64 do ranking, que passaria completamente despercebida, não fosse o seu estilo de jogo. Uma jogadora que não nasceu naturalmente para o ténis, mas que conseguiu contornar essa falta de aptência natural com um estilo de jogo sui generis. Isto é o mínimo que se pode dizer de uma jogadora profissional de ténis que não sabe bater uma direita normal. Uma jogadora destra que bate todas as direitas em slice. Obviamente que não faz um único winner de direita, pois não é seu objetivo ganhar pontos mas antes esperar que a adversária os perca. E foi exatamente isso que Monica Niculesco fez contra uma das jogadoras que mais gosto de ver jogar, Sabine Lisicki. 


Sabine Lisicki, número 15 do ranking, é uma jogadora ofensiva, com uma técnica aprimorada. Um serviço só superado no circuito feminino por Serena Williams e uma direita potente que lhe oferece muitos pontos ganhantes. Aliás, Lisicki cometeu muito recentemente a proeza de eliminar Serena de Wimbledon.

E assim foi... 10 ases de Lisicki contra zero de Niculesco. 43 winners contra 8 da romena (sim, apenas 8 pontos ganhantes em quase 200 pontos jogados) e, no fim, 6-2, 2-6 e 2-6 para a romena. 

Sabine, a finalista em 2013 de Wimbledon, já foi mais cedo para casa. E, como sempre, Niculesco jogará mais uma ou duas rondas antes de regressar à Roménia.

Aí está o Australian Open 2014!


Demorou, mas chegou...

O Australian Open aí está, em todo o seu esplendor ! Entrou 2014 e o primeiro Grand Slam do ano chegou.

Este ano parece que demorou mais. Entre o US Open, em Setembro, e o Australian Open surge o vazio. Não completamente, pois há Masters 1000, torneios ATP 500/250 e o ATP World Tour Finals que fecha a época tenística. Mas quando termina o Grand Slam das Américas, começa logo a contagem decrescente para o Grand Slam da Oceania. 

Já aqui disse em outro post, passa agora exatamente um ano, que o Australian Open era, juntamente com o French Open, um dos meus Grand Slam preferidos. Hoje, em Janeiro de 2014, já posso afirmar que o torneio australiano me conquistou de tal maneira que já é o meu Grand Slam preferido. O charme de Roland-Garros, que sempre foi o meu torneio de eleição, perdeu-se nos últimos anos. Acentua-se a decadência do recinto, que não acompanhou o crescimento do torneio, e as péssimas condições atmosféricas dos 2 últimos anos que sistematicamente atrasam o calendário e até fizeram com que a final do último ano se realizasse numa tarde ventosa e chuvosa de uma ... segunda-feira.

Em Melbourne é tudo oposto. É verão, estão 40ºC à sombra, há alegria e muita cor... Ao contrário de Roland Garros, não conheço (com muita pena minha) o recinto do torneio australiano. Mas a impressão que fica é que as condições são ótimas. É tudo limpo, tudo novo, tudo azul e branco... e os jogadores dizem o mesmo, falam daquela energia que o público irradia. 

Muitos sorrisos, muita gente bonita, muito calor... 




domingo, 5 de janeiro de 2014

Pedro Abrunhosa

Há músicos que estão à frente do seu tempo e só muitos anos mais tarde o seu valor é reconhecido. E então surgem os convites, sucedem-se as entrevistas, as homenagens. Portugal já está acostumado a andar atrasado. A ter falta de visão. A esperar pelo reconhecimento além fronteiras para criar um ídolo.
 
Pedro Abrunhosa, provavelmente, não terá esse sucesso além fronteiras. Apenas por uma razão. Limita-se, como o próprio diz, a narrar histórias desencontradas que se reencontram na Música que escreve. De personagens, por vezes, atormentadas, outras felizes, de sentimentos de perda ou de conquista que acabam por ser comuns a muitos de nós. Para ele, um Disco é cada vez mais um Livro, onde conta a sua Vida tornada palavra e harmonia.
 
E é por isso que em tantos anos de carreira, o 7.º disco de estúdio de Pedro Abrunhosa só agora chega.
 
"Se eu fosse um dia o teu olhar", "Tudo o que eu te dou", "Eu não sei quem te perdeu", "Quem me leva os meus fantasmas" são histórias vividas por nós. E , por nós, escutadas dezenas de vezes. E escutadas por milhões, a avaliar pelas visitas aos vídeos do youtube.
 
"Momento" é uma verdadeira poesia, em forma de música, com direito a videoclip de Manuel de Oliveira.

 

 
"É tão cinzenta a Alemanha. E a saudade tamanha. Quero ir para casa. Embarcar num golpe de asa. Quero voltar para os braços da minha mãe." Esta é a mensagem tão atual que Pedro Abrunhosa, com a excelente voz de Camané, faz questão de deixar aos jovens portugueses que se vêem obrigados a arranjar trabalho noutras paragens, neste último álbum "Contramão", recentemente editado.
 


 

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

PS e PSD oferecem Rendas à EDP

Ministro da Economia e Secretário de Estado, entretanto demitidos, confessam que este Governo não apoiou a defesa do interesse nacional. Concretamente, sabe-se que o PS ofereceu as Rendas à EDP. Entretanto a Troika exigiu que se cortassem essas rendas, o Ministro da Economia Alvaro Santos Pereira teria tentado com o apoio dado pelo seu Secretário de Estado, Henrique Gosmes que tem a coragem de dar esta entrevista.

E o que sucedeu?
A maioria do Governo (PSD) tal como os que o sucedeu (PS) não estavam ao lado dos portugueses, do interesse público. Foram feitos estudos, entregue o Relatório e na hora de cortar as rendas excessivas... demite-se o Secretário de Estado. E, algum tempo mais tarde, o Ministro da Economia.

O Presidente da EDP comemora com Champanhe as demissões. E o Português paga os 4 mil milhões que a EDP não foi obrigada a cortar nas Rendas Excessivas.

Há palavras para isto?

Veja para acreditar:

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

ATP World Tour Finals

Nadal pode (e vai) terminar esta época como número um mundial, mas esta foi a noite de Djokovic. Foi assim que os (excelentes) comentadores do Sky Sports (Boris Becker incluído) finalizaram uma semana intensa de emissões cheia de emoção e ténis de muito bom nível. É certo que este torneio, tal como os Masters ATP são incomparáveis a qualquer um dos Torneios Grand Slam. É certo que um encontro de ténis jogado em recinto fechado não é a mesma coisa que um onde a chuva, o vento podem sobrepor-se a tática previamente definida. E, principalmente, um encontro jogado em "melhor de 3 partidas" é incomparavelmente menos emotivo e equilibrado do que um confronto jogado em "melhor de 5 partidas".

Esta foi de facto a final desejada por todos os apaixonados do ténis. Frente a frente o número 1 do ranking masculino com o número 2 e detentor desta taça. Apesar disso, não foi uma daquelas finais que irá ser recordada daqui a alguns anos, principalmente por culpa do espanhol, que esteve longe do seu melhor nível. Com um serviço pouco eficaz e 4 duplas faltas contra zero do sérvio, foi a direita que verdadeiramente atraiçoou Nadal esta noite. A pancada que o espanhol melhorou consideravelmente durante o recente interregno, e que o catapultou novamente para a liderança do ranking ATP, não conseguiu fazer a diferença esta noite. E tantas bolas ficaram curtas, principalmente no serviço de Nole, que esteve a muito bom nível, que o sérvio não foi obrigado a fazer mais do que o seu jogo, a abrir ângulos e a controlar o jogo no fundo do court, causando muitas dificuldades ao maiorquino.

As estatísticas desta final mostram ainda que Djoko conseguiu 6 ases contra 1 de Nadal. Além de desastrado no serviço, a noite não do maiorquino confirma-se nas estatísticas da resposta ao serviço. Rafa consegue a "proeza" de ter obtido menos pontos no 2.º serviço do sérvio (30%) do que no 1.º serviço (31%). Em qualquer dos casos, percentagens muito baixas quando comparadas com as de Novak (50% e 42%, repectivamente).



1 hora e 36 minutos de domínio total de Nole (6-3, 6-4), na sua superfície preferida. A época ainda não termina aqui para o sérvio que irá defender as cores do seu país, em casa, contra a República Checa, numa Final da Taça Davis 2013 que se adivinha equilibrada. Faz agora um ano tive o imenso prazer de assistir na República Checa a essa tão emocionante 100.ª Final da Taça Davis disputada entre espanhóis e checos (post de 18 de novembro de 2012). E, não convém esquecer, a República Checa conquistou pela primeira vez a Fed Cup e Davis Cup no ano de 2012.

Aconteça o que acontecer na Arena de Belgrado entre 15 e 17 de novembro, parabéns Nole!

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Charles Lloyd

Charles Loyd nasceu a 15 de março de 1938 em Memphis. Lloyd começou a tocar saxofone aos 9 anos, apesar de ter aulas de piano. Lloyd converteu-se num companheiro habitual de bandas de blues de B. B. King, Howlin Wolf, Bobby "Blue" Band entre outros.


Pode ouvir-se a tocar saxofone e flauta nesta faixa "Tellaro" do CD "Fish out of water" da ECM 1989 juntamente com Jon Christensen (bateria), Palle Danieldsson (contra baixo) e Bobo Stenson (piano).



domingo, 20 de outubro de 2013

Portugal, paraíso dos corruptos

Vale a pena ver este vídeo, de apenas 5m37 onde Caiado Gerreiro e Paulo Morais explicam como os políticos enganam os portugueses e como, se Portugal adoptasse medidas claras para combater a corrupção, poderia ter o nível de vida da Dinamarca.
 
Uma farsa para iludir os portugueses onde os corruptos, em julgamentos triturantes que saem caríssimo aos contribuintes, acabam ser por ser ilibados. Um vídeo onde, numa linguagem simples e clara, se percebe como Portugal se tornou num verdadeiro paraíso para os corruptos.

sábado, 28 de setembro de 2013

Lisboa é cidade menos honesta

A Reader’s Digest andou a perder carteiras com dinheiro por diversas cidades do planeta. Das 12 que deixou em Lisboa, apenas uma voltou. Resultado: último lugar neste "top da honestidade".

Least honest: Lisbon, Portugal. Esta é a nova chancela da capital portuguesa e foi atribuída pela Reader's Digest (RD). Este anti-Óscar de cidade "menos honesta do mundo" acaba de ser conquistado graças a um estudo realizado por aquela revista internacional, que tem edições nacionais em 49 países, Portugal incluído.
 
 
 
A Reader's Digest escolheu 16 cidades por todo o mundo e, em cada uma, os seus repórteres "perderam" 12 carteiras, deixando-as em "parques, centros comerciais, passeios". Cada exemplar continha "um número de telemóvel, uma foto de família, cupões, cartões-de-visita e o equivalente a 50 dólares [37 euros]. "Depois, esperámos para ver o que acontecia", resumem.

E o que aconteceu foi muito diferente de cidade para cidade. Se em Helsínquia 11 das 12 carteiras foram devolvidas – o que deu à capital finlandesa o 1.º lugar do top –, já por Portugal as coisas correram menos bem. Em Lisboa apenas uma voltou aos seus donos, tornando as contas fatalmente óbvias: o apodo de least honest vai mesmo para a capital portuguesa.

O cenário torna-se ainda menos abonatório para Portugal quando se descobre, como conta a RD, que as únicas cobaias "lisboetas" honestas, afinal, não eram nem lisboetas nem portuguesas. A única carteira alfacinha recuperada pela revista foi devolvida por "um casal dos seus 60 anos": "Avistaram a carteira e telefonaram-nos imediatamente", resumem. E, logo a seguir, sublinham que, "interessantemente", os repórteres descobriram que "os dois nem eram de Lisboa", "eram turistas vindos da Holanda".
Resumindo e concluindo: "As restantes 11 carteiras, com o dinheiro e tudo o resto, foram levadas".

Outras conclusões do "teste da carteira perdida" podem também surpreender muitos estereótipos quando se observa como ficou alinhado o top das Most Honest Cities: logo a seguir à "honesta" Helsínquia, encontram-se a indiana Bombaim, onde foram devolvidas nove carteiras, ou Budapeste (oito).
Já para o final da tabela e muito perto do singular resultado lisboeta, encontram-se a romena Bucareste, o Rio de Janeiro ou Zurique (quatro carteiras devolvidas em cada uma); Praga (três) e, numa quase sincronia ibérica, Madrid, onde foram recuperadas duas carteiras.

Quanto a questões como idade, sexo ou poder económico, estas parecem não ser decisivas na hora de optar pela honestidade ou pela desonestidade: "Ao analisarmos os nossos resultados, concluímos que a idade não é um factor de previsibilidade", "tanto velhos como novos conservaram ou devolveram as carteiras"; "homens e mulheres foram imprevisíveis" e "o poder económico relativo pareceu não ser garantia de honestidade".

Top das Cidades Mais Honestas

1. Helsínquia, Finlândia (11 em 12)
2. Bombaim, Índia (9 em 12)
3. Budapeste, Hungria (8 em 12)
Nova Iorque, EUA (8 em 12)
4. Moscovo, Rússia (7 em 12)
Amesterdão, Holanda (7 em 12)
5. Berlim, Alemanha (6 em 12)
Ljubljana, Eslovénia (6 em 12)
6. Londres, Reino Unido (5 em 12)
Varsóvia, Polónia (5 em 12)
7. Bucareste, Roménia (4 em 12)
Rio de Janeiro, Brasil (4 em 12)
Zurique, Suíça (4 em 12)
8. Praga, República Checa (3 em 12)
9. Madrid, Espanha (2 em 12)
10. Lisboa, Portugal (1 em 12)

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Os Privilegiados

Da autoria de Gustavo Sampaio, foi hoje lançado o livro intitulado "Os Privilegiados".

Finalmente, jornalismo de investigação, com dados concretos, números, nomeações, revelações, tudo "preto no branco". O que é mais surpreendente é que mais de metade dos nossos representantes na Assembleia da Republica não está ali por espírito de missão, amor à pátria ou defesa dos interesses do povo. São exatamente 117 os deputados que ali se sentam a tratar dos seus interesses pessoais ou das empresas que representam. Estão ali em part-time, como estão os rapazes que nos vendem hamburgueres no MacDonalds. Mas ganham um pouco mais e, ainda mais interessante, participam nos negócios entre o Estado e as Empresas de cujas administrações fazem parte. E, claro está, podemos confiar nestes senhores que tudo farão para defender os interesses do Estado, de todos (alguns de) nós.

Senhores jornalistas, ganhem coragem e investiguem. Olhem para o vosso colega Gustavo Sampaio. Libertem-se dos Conselhos de Administração das vossas Rádios e Televisões. Libertem-se do Conselho Editorial dos vossos jornais e publiquem tudo o que sabem e que os portugueses precisam e merecem saber.



SINOPSE

Dos 230 deputados à Assembleia da República, 117 estão em regime de part-time, acumulando as funções parlamentares com outras atividades profissionais no setor privado. Advogados, juristas, médicos, engenheiros, consultores, empresários, etc. Em diversos casos, prestando serviços remunerados a empresas que operam em setores de atividade fiscalizados por comissões parlamentares que os mesmos deputados integram. Ao que se acrescem as ligações a empresas (cargos de administração, participações acionistas, serviços de consultoria, etc.) que beneficiam de iniciativas legislativas, subsídios públicos ou contratos adjudicados por entidades públicas visando a execução de obras, o fornecimento de produtos ou a prestação de serviços. Conflitos de interesses? Dezenas de exemplos concretos são apresentados nas páginas deste livro. Dos corredores do poder político para as salas de reunião dos conselhos de administração, e demais órgãos sociais, das maiores empresas portuguesas, com ou sem período de nojo. Um fluxo recorrente entre cargos públicos e privados. Das 20 empresas cotadas no índice PSI 20, por exemplo, 16 contam com ex-políticos em cargos de administração. Por vezes são ex-governantes que decidiram sobre matérias que implicam as empresas para as quais vão depois trabalhar, ou até administrar. Sabia que as subvenções vitalícias dos políticos foram criadas numa altura em que Portugal estava sob assistência financeira do FMI? Que foram alvo de um veto presidencial? Que duplicam de valor quando o beneficiário alcança os 60 anos de idade? Que apesar de terem sido revogadas há 8 anos, o número de beneficiários continua a aumentar? Que a identidade dos beneficiários passou a ser secreta? Ou que há políticos que a requereram com idade inferior a 50 anos? Pedro Passos Coelho prometeu que iria fazer nomeações com base no mérito e não nas ligações partidárias. Apesar da maior transparência, as 142 nomeações com ligações partidárias para altos cargos dirigentes na Administração Pública, identificadas neste livro, demonstram que os boys continuam a ser favorecidos. O jornalista Gustavo Sampaio traz-nos um livro revelador, onde depois de uma exaustiva e rigorosa pesquisa, apresenta-nos as zonas cinzentas entre o interesse público e privado, e faz as ligações que nos permitem perceber como políticas e ex-políticos gerem interesses, movem influências e beneficiam de direitos adquiridos.

sábado, 13 de julho de 2013

Billie Holiday

Eleanora Fagan (1915-1959) é dona de uma das vozes femininas mais emocionantes da história da música americana e, por muitos, considerada a maior cantora de jazz de todos os tempos. Conhecida como Billie Holiday, inspirou artigos, livros, filmes e produções teatrais, quase sempre centrados na sua vida pessoal e não nas suas excelentes interpretações vocais.

Aos 10 anos, Billie foi enviada para um reformatório católico devido à negligência da mãe. O pai, músico de jazz, tinha-a abandonado quando era bebé. A infância da cantora foi bastante complicada e, mais tarde, esteve num reformatório católico, após admitir ter sido violada. Com 12 anos, saiu do reformatório e mudou-se para Nova Iorque com a mãe. Com cerca de 15 anos, começou a cantar em clubes nocturnos.
 
O talento de Billie Holiday foi descoberto em 1933, durante uma actuação no bar Monette's, no Harlem, em Nova Iorque, por um responsável da editora Columbia. Logo no início da sua carreira, a artista ganhou seu apelido Lady Day e passou a usar sua marca registada: uma flor de gardenia no cabelo.
 
Lady Day sempre enfrentou o preconceito racial. Em 1938, como vocalista de Artie Shaw, ela tinha que entrar no teatro pelas portas de serviço, era impedida de ir aos melhores restaurantes e obrigada a hospedar-se em pensões de subúrbios e não nos mesmos hotéis da banda, cujas portas eram fechadas a negros. Em 1939, a cantora empresta este seu sofrimento e indignação para a canção Strange Fruit. A música fala de um fruto estranho dependurado numa árvore do sul dos EUA: o corpo linchado de um negro. A expressividade de sua voz costura o realismo da narrativa da canção que se transformou num libelo contra a discriminação racial. Strange Fruit foi, no entanto, proibida de passar em muitas rádios.

 

Billie Holiday adoeceu gravemente em maio de 1959, depois da sua última actuação em Nova Iorque, com problemas no fígado e no coração. Contudo, nem por isso abandonou a heroína, o que lhe valeu mais uma detenção por posse de droga. A cantora morreu a 17 de julho desse ano, com 44 anos. Billie Holliday deixou uma obra que constitui uma referência no mundo do jazz, marcada pela sensualidade da sua voz quente.