quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Match for Africa

Já imaginou ver o Cristiano Ronaldo a passear calmamente pelas "Las Ramblas" de Barcelona, acompanhado de Leonel Messi, a servir de gentil anfitrião do jogador português?

Talvez já tenha imaginado, mas não sei se alguma vez vai ver essa cena...

Mas se pretender ver esta cena nas ruas de Zurique, com os mesmos personagens, a mesma rivalidade, a mesma fama e uma única diferença... veja o vídeo que se segue, tudo pelas Crianças de África.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Azarenka e Djokovic - Mais Líderes

Terminou o Australian Open e, a partir de agora, apenas dois tenistas estão em condições de conquistar o Grand Slam. Este foi o termo adotado quando o mesmo jogador conseguia o feito de conquistar os quatro torneios principais (outrora designados "majors", mas hoje de "Grand Slams"). Estes são Roland-Garros, Wimbledon, US Open e Australian Open.

O mais interessante é que se tratam de Novak Djokovic e Victoria Azarenka, nem mais nem menos do que os atuais líderes dos rankings ATP e WTA, respetivamente. E numa modalidade em que o fator mental pode desempenhar um papel preponderante, tornando a tarefa de defesa do número 1 muito difícil, a conquista do primeiro Grand Slam do ano só vem reforçar o mérito de ambos os jogadores.



À partida, a tarefa parecia mais difícil para Victoria Azarenka, porque não estava em jogo apenas o bi, mas a disputa direta da liderança do ranking contra a bela Maria Sharapova e a fera Serena Williams. Enquanto as duas arrasavam adversárias e marcavam feitos, Vika sofria com um jogo inconstante. Azarenka vem, por isso, demonstrar que apesar da sua juventude conseguiu ultrapassar as fragilidades mentais que estiveram por trás de algumas atitudes muito criticáveis dentro do court. Mérito seu e do seu treinador Sam Sumik, que conseguiu transformar uma impertinente bielorrussa numa jogadora que poderá fazer história no ténis feminino.

E o que dizer de Novak Djokovic? Não foi uma final brilhante, pelo que a memória do histórico duelo Djokovic - Nadal da temporada transata esteve sempre presente. Diga-se, em abono da verdade, que o estilo de jogo de Andy Murray muito dificilmente proporcionará algum dia duelos históricos, ao nível do que já assistimos entre Roger, Rafa e Novak. Apesar da clara evolução do jogo do escocês, desde que contou com a colaboração de Ivan Lendl, há ainda uma ténue fronteira entre os três primeiros e Andy, sem desprimor para o detentor do ouro olímpico. E essa diferença já não se situa no campo mental, como o foi durante algum tempo, mas essencialmente ao nível do estilo de jogo ofensivo que, em determinados momentos, falta a Murray. Se tem grande capacidade de jogo defensivo, praticamente ao nível de Nadal, ainda terá que trabalhar a transição desse jogo defensivo para o jogo ofensivo, algo que o maiorquino pratica tão bem.



Se é certo que a potencial conquista da segunda partida por parte de Andy poderia dar um rumo diferente aos acontecimentos, também foi seguro para os entendidos do circuito que a partir da conquista da segunda partida, muito dificilmente Djoko deixaria escapar a possibilidade de revalidar o título (na verdade, "trivalidar", já que é o terceiro consecutivo). Foi aí a chave desta final, ficando até a sensação que o sérvio não necessitou de se esforçar ao máximo, frente a um escocês que acusou o golpe. As duas últimas partidas não foram dignas de uma final de Grand Slam, reavivando a memória daquele Andy Murray que entrava nas finais já derrotado. Uma lição para o escocês e a confirmação de que Novak Djokovic é, sem qualquer dúvida, o melhor jogador masculino da atualidade. Será Nadal capaz de lhe fazer concorrência, ou irá o sérvio triunfar em Roland-Garros pela primeira vez, já este ano? 



quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Jeremy Chardy



Jeremy Chardy foi a grande surpresa masculina deste Grand Slam da Ásia-Pacífico. Ocupando o lugar 36 do ranking ATP, foi o outsider deste torneio, tendo todos os olhos em cima dele ao derrotar um dos candidatos à vitória, o argentino Juan Martin del Potro. Dotado de uma direita potente e uma excelente movimentação no court, facilitada pela sua elevada estatura e peso equilibrado (fisicamente muito parecido com Federer).

Se é verdade que o ténis francês parece ter ressuscitado na Austrália, com 4 jogadores a atingir os oitavos-de-final, apenas Tsonga parece ter "estatura" para discutir a vitória com os top 3.

Com apenas 24 anos, será capaz Chardy de se afirmar a partir de agora? A verdade é que hoje, Andy Murray não precisou de se esforçar muito para o vencer em menos de 2 horas, por 6-4, 6-1 e 6-2.

115 Winners !

Uma das coisas que Jo-Wilfried Tsonga recordará para sempre, mesmo quando abandonar os courts, será a sua vitória sobre Roger Federer, em Wimbledon 2011, depois de estar a perder por 2 sets. Foi aliás a primeira vez que Federer foi derrotado num Grand Slam, depois de ter vencido os 2 primeiros sets. A partir daí, o suiço venceu os cinco encontros seguintes entre os dois.



O duelo dos quartos-de-final da sessão noturna do Australian Open não defraudou ninguém. Foi um jogo muito bem disputado entre dois jogadores que se respeitam muito e que correspondeu à melhor exibição de ambos. Tsonga levava a lição bem estudada, e sabia que só um jogo agressivo, apoiado no seu excelente serviço (na minha opinião, um dos melhores do circuito), lhe poderia dar o passaporte para a meia-final. Já Roger fez um jogo inteligente, dando o seu melhor nos momentos cruciais, em particular nos tie-breaks do primeiro e terceiro sets, que acabaria por vencer. Na partida final, Federer não perdoou e aproveitou os momentos de menor concentração do francês, para vencer por 6-3.




Dois jogadores ofensivos, que não perdem nenhuma oportunidade de subir à rede. Alguns erros não forçados, mas acima de tudo muitos pontos ganhantes. 75 pontos ganhos na rede, 115 winners e, no final, público satisfeito e dois amigos com o dever cumprido...


sábado, 19 de janeiro de 2013

Simon v Monfils


Mais um encontro épico, desta vez entre dois jogadores franceses. 4 horas e 43 minutos de ténis francês ao mais alto nível. Equilíbrio entre dois estilos bem diferentes é a forma mais simples de resumir este encontro. Com o marcador igualado a 4 no segundo set, os compatriotas Gilles Simon e Gael Monfils partiram para o rally mais longo de que tenho memória, com 71 troca de bolas durante 2 minutos e 9 segundos.

Simon acabou por vencer por 6-4, 6-4, 4-6, 1-6 e 8-6 numa exibição que será lembrada pela garra e determinação.

A quinta partida, que durou 1 hora e 34 minutos, transformou este encontro em mais um momento épico de ténis, no qual ambos os tenistas atingiram os limites do fisicamente possível. Assistidos em cada troca de campo pelo massagista de serviço, Simon no braço e Monfils na perna, deram o melhor de si na última parte do encontro, pleno de emoção e equilíbrio.

Simon aparentava estar naquela fronteira em que fisicamente se está ali no court mas todos os gestos são mecânicos e não refletidos, deixando-se levar pelas decisões do seu compatriota, batendo muito bem a pancada de esquerda e aproveitando algumas direitas para tentar o seu jogo de rede. Monfils deixou de arriscar, mantendo a esquerda a bom nível mas falhando algumas pancadas de direita. Por isso, já os jogadores se arrastavam no court, quando ainda foi possível assistir a trocas de bola com 41 pancadas.

E já perto da 1 hora local, com as bancadas praticamente repletas de um público que reconhecia em cada jogada o esforço dos franceses, Simon concluiu o quinto set por 8-6. Não houve lugar a festejos efusivos, mas antes um forte abraço entre os dois compatriotas, bem cientes que tinham acabado de fazer história.

E qual o prémio para Gilles Simon? Um encontro de quartos-de-final com o vencedor do US Open e terceiro cabeça de série Andy Murray, na próxima segunda-feira.







quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Kimiko Date-Krumm



A figura deste terceiro dia de Australian Open foi, sem dúvida, a japonesa de 42 anos Kimiko Date-Krumm. Kimiko fez hoje história ao ser já a jogadora mais velha a passar à terceira ronda de um GS.

Com os termómetros a marcar 39ºC em Melbourne, a veterana japonesa derrotou a ex número 11 do WTA Ranking, Shahar Peer. Na primeira ronda tinha já eliminado a russa Nadia Petrova, ex número 3 do ranking. Os fãs australianos (melhor dito, os seus pais) tinham já tido a oportunidade de ver a japonesa defrontar Steffi Graf, no longinquo ano de 1994, nas meias-finas deste torneio. 19 anos (a idade de muitas jogadoras) passaram e chega a ser contagiante a alegria e o entusiasmo com que Kimiko joga e fala da sua carreira.

A sua amiga Graf já a aconselhou a encostar a raquete, para constituir uma família, tal como ela. Mas Kimiko não lhe fez a vontade e, assim, conseguiu fazer história. O segredo? Alimentação oriental e muitos banhos gelados.


Aí está o Australian Open!

Terminaram as férias tenísticas e os melhores jogadores de ténis do Mundo já se encontram na Austrália. A 101º Edição do Australian Open teve início no dia 14 de janeiro, ainda em ritmo de passeio, e aí estará até 27 de janeiro.

O Australian Open é, juntamente com Roland Garros, o meu Grand Slam preferido. Incomparáveis, cada um com o seu estilo, mas dois eventos desportivos de sucesso reconhecido mundialmente.



Na verdade, e talvez para espanto de muitos, o Grand Slam da Ásia Pacífico, é hoje considerado o maior torneio de ténis do Mundo. Isto, desde a mudança para o piso sintético do espetacular Melbourne Park, em 1988. O Australian Open foi o primeiro Slam a ultrapassar a marca dos 500 mil espectadores (ano 2000) e dos 600 mil (2008), além de deter hoje o recorde de público para um único dia (80.649 no primeiro sábado de 2012). Este Grand Slam é igualmente o maior torneio do calendário em termos de prémios, atingindo 31,5 milhões de USD, muito favorecido pelo câmbio da moeda local, que hoje vale mais do que o dólar americano. Só para se ter uma ideia, o campeão masculino de singulares levará para casa qualquer coisa como 2,5 milhões de USD, outro recorde.

O Melbourne Park encontra-se no centro da cidade (a 5 minutos de tram e 10 minutos a pé), separado por pontes pedestres do Melbourne Cricket Ground no Yarra Park. Como se vê na fotografia, é um local magnífico para a prática do ténis, assim como de outras modalidades desportivas, tão populares neste país. Com capacidade para 15000 espetadores, a Rod Laver Arena foi o primeiro recinto de ténis a possuir uma cobertura retrátil, que se adapta bem ao clima de Melbourne, com temperaturas elevadíssimas ou chuva intensa. A Hisense Arena, inaugurada em 2000 e com capacidade para 10500 adeptos, também possui um teto retrátil.

Apesar da diferença horária, teremos oportunidade de ver no Eurosport nos próximos dias mais de 300 horas de ténis de qualidade e um grande espetáculo de cor, som e movimento que fazem deste torneio... o esplendor do ténis !



domingo, 16 de dezembro de 2012

Milan Kundera

Milan Kundera nasceu a 1 de abril de 1929 em Brno, capital da Morávia, cidade no sul da República Checa, próxima da fronteira com a Eslováquia.
Kundera aprendeu a tocar piano com seu pai. Posteriormente, também estudou musicologia. Influências e referências musicológicas podem ser encontradas nas suas obras, a ponto de existirem por vezes notas em pauta durante o texto.
 
Em 1950, foi temporariamente forçado a interromper os seus estudos por razões políticas. Nesse ano, ele e outro escritor checo - Jan Trefulka - foram expulsos do Partido Comunista Checo por "actividades anti-partidárias".  Seis anos mais tarde, Kundera foi readmitido no Partido Comunista. Em 1970, porém, foi novamente expulso. Kundera, assim como outros artistas checos como Václav Havel, envolveu-se na Primavera de Praga de 1968. O período de optimismo, como se sabe, foi destruído no agosto do mesmo ano pela invasão soviética com exército do Pacto de Varsóvia a Checoslováquia. Kundera e Havel tentaram acalmar a população e organizar um levante reformista frente ao totalitarismo comunista da União Soviética.

 
Milan Kundera vive em França desde 1975, sendo cidadão francês desde 1980. Seus romances geralmente tratam de escolhas e decepções. Em seus livros é recorrente a crítica ao regime comunista e à posterior ocupação russa de seu país, em 1968, quando foi exilado e teve sua obra proibida na então Checoslováquia.

Proposto várias vezes para Prémio Nobel da Literatura, Kundera recebeu, pelo conjunto da sua obra, o "Common Wealth Award" de Literatura (1981) e o "Prémio Jerusalém" (1985), entre outros.
 
A Insustentável Leveza do Ser é a sua obra principal, que ganhou em 1988 uma adaptação para o cinema, sob a direcção de Philip Kaufman e com Daniel Day-Lewis, Juliette Binoche e Lena Olin no elenco. Recebeu 2 indicações ao Oscar e reconhecimento mundial.


domingo, 9 de dezembro de 2012

As pessoas de hoje em dia

Na passada quarta-feira, recebi esta imagem com o título "As pessoas de hoje em dia...".

 
 
Nesse mesmo dia, à noite, quando assistia ao noticiário na televisão, soube da seguinte história associada à seguinte fotografia.
 
 


A imagem, publicada na terça-feira na primeira página do New York Post, mostra um homem a tentar escapar do fosso do metro de Nova Iorque. De acordo com testemunhas que se encontravam no local no momento do acidente, havia outras pessoas na plataforma, mas a fotografia não inclui mais ninguém, além da vítima, Ki-Suck Han, de 58 anos, que caiu na linha de metro depois de ter sido empurrado.

"Depois de empurrão fatal no metro, a pergunta: Não havia heróis?", foi o título de um artigo no New York Times um dia depois do acidente. "A fotografia de um homem sozinho numa linha do metro numa das cidades mais populosas do mundo vem lembrar que, quando alguma coisa má acontece, quase sempre dependemos apenas de nós próprios", lamentou o jornalista de media daquele jornal, David Carr.

Esta fotografia de um homem encurralado na linha do metro momentos antes de morrer esmagado pelo comboio que avança na sua direcção está a motivar um intenso debate em Nova Iorque: por que é que num dos sistemas de transportes públicos mais frequentados do mundo, ninguém tentou ajudar o homem?

 
Pode ter sido apenas uma coincidência, mas não será altura de começarmos a refletir que são estas as pessoas de hoje em dia, de um tempo em que já não há heróis...